Contacto
Coreia do Sul

"Corpos por toda a parte". Em Seul, três soldados americanos tentaram salvar vidas

A maioria das vítimas eram mulheres jovens na casa dos vinte anos, de acordo com as autoridades. "Não somos pequeninos, mas também fomos esmagados, antes de sairmos" da multidão, disse um dos soldados.

"Estavam em pânico e isso piorou a situação. Havia barulho por todo o lado ... as pessoas gritavam afogando todos os outros sons", descreveu um dos soldados.

"Estavam em pânico e isso piorou a situação. Havia barulho por todo o lado ... as pessoas gritavam afogando todos os outros sons", descreveu um dos soldados. © Créditos: AFP

Fonte: AFP

Com cadáveres espalhados pelas ruas estreitas de Seul, três soldados americanos transformaram-se em improvisados salvadores, extraindo sobreviventes da pior debandada da história da Coreia do Sul. Mas, para muitos, já era "demasiado tarde".

As pessoas caíram "como dominós", diz um atordoado Jarmil Taylor, 40 anos. Com os seus dois amigos também em serviço em Seul, o soldado tinha-se dirigido no sábado à noite para a pequena rua estreita que se tornou um estrangulamento mortal no distrito de Itaewon. Escaparam por pouco à debandada.

Ler mais:Bombeiros indicam 149 mortos em Seul em festejos de Halloween

Entrevistados pela AFP, recordam uma noite marcada por cenas de caos, sofrimento e morte enquanto lutavam para ajudar na tragédia que no último balanço apontava para 153 mortos. "Não havia pessoas suficientes para os ajudar a todos ao mesmo tempo", desabafa Jarmil.

No topo da rua estreita, a multidão tentava forçar a passagem, apesar de a rua já estar cheia - e as pessoas começaram a cair "umas em cima das outras". Para quem estava preso no meio da fuga, tudo era pânico e só se ouviam gritos.

"Estavam em pânico e isso piorou a situação. Havia barulho por todo o lado ... as pessoas gritavam afogando todos os outros sons", descreveu o soldado.

Cerca de 100.000 pessoas saíram nessa noite para os festejos de Halloween pela primeira vez desde que a pandemia de covid-19 começou, uma multidão "sem precedentes", de acordo com os comerciantes locais. Perante esta multidão, os três soldados mobilizaram-se para retirar as vítimas, muitas vezes desmaiadas, para que pudessem ser transportadas para um local seguro onde os paramédicos pudessem efectuar massagens cardíacas.

"As discotecas circundantes estavam cheias de pessoas deitadas no chão", que tinham sido transformadas em abrigos temporários, diz Jarmil.

Demasiado tarde

Cerca de 27.000 soldados norte-americanos estão estacionados na Coreia do Sul no caso de um ataque nuclear do Norte. Taylor e os seus colegas estão estacionados em Gyeonggi, em Camp Casey. Encontraram-se em Itaewon para celebrar o Halloween durante a semana de folga. Mas cedo perceberam que as multidões eram demasiado grandes.

"Também estávamos tensos, estávamos no meio", recorda Dane Beathard, de 32 anos. No meio da multidão, os trabalhadores de resgate lutaram para tirar as vítimas, contou. "Ajudámos a tirar as pessoas de lá toda a noite (...). Estavam ali presas e não conseguiam respirar há muito tempo", disse Dane.

A maioria das vítimas eram mulheres jovens na casa dos vinte anos, de acordo com as autoridades. Devido ao seu #tamanho mais pequeno, penso que o seu diafragma foi esmagado, e porque estavam em pânico, isso tornou (a situação) ainda mais caótica", disse Jerome Augusta, 34 anos.

Ler mais:Tragédia em Seul. Pelo menos 120 mortos e 100 feridos em debandada

No início, quase não havia polícia ou equipas de salvamento no local, disse o trio de soldados, e a multidão continuou a crescer. As pessoas nas traseiras não conseguiam ver o que se passava à frente. "Estávamos a gritar-lhes para se afastarem, mas já era tarde demais", disse o soldado, que contou ter trabalhado incansavelmente toda a noite para salvar vidas. Mesmo quando conseguiam extrair as vítimas, estas já estavam sem sinais vitais.

"Não somos pequeninos, mas também fomos esmagados, antes de sairmos" da multidão, recorda Jarmil. #O que se tem de compreender é que as pessoas presas na frente estavam todas no chão - já esmagadas", explica.

Os três compatriotas consideram-se afortunados por terem sobrevivido à tragédia. "Quando saímos, havia corpos por todo o lado, em toda a parte", dizem os três homens em uníssono.